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27 de Outubro de 2021

IFamily em época de Covid-19

A transformação das relações familiares no mundo contemporâneo

Diego Bianchi Pelizer, Advogado
Publicado por Diego Bianchi Pelizer
há 2 anos

Desde as histórias contadas por Fustel de Coulanges na sua obra “Cidade Antiga”, há um movimento na construção do instituto da família, na qual se ergue a pedra fundamental para o surgimento das grandes nações, em crenças que começam no seu interior. Tão importante na estruturação da sociedade, a família passou a ter sua devida proteção que hoje se desencadeia no âmbito nacional e internacional.

No artigo 16 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é declarado que a família é o núcleo fundamental da sociedade que estrutura essa mesma sociedade e o Estado. Desta forma, o Direito das Famílias nos Estados devem garantir este direito fundamental às pessoas, proporcionando meios que a família seja acolhedora e possa propagar a espécie, seus valores e conhecimentos. Estes detalhes se expandem às legislações constitucionais de alguns países adeptos.

Com o atual cenário da propagação do vírus, conhecido como Covid-19, as pessoas vivem uma nova realidade de comportamento e também familiar. Com a conscientização dada pela Organização Mundial da Saúde, na defesa da vida humana, recomenda que haja um período de isolamento social para que não se propague a transmissão do vírus. Nesta realidade, surgem comportamentos típicos da família virtual, nomeada também como IFamily.

Alguns doutrinadores, como Conrado Paulino da Rosa e Dimas Messias de Carvalho, adotam o termo IFamily como uma modalidade de família, na qual as interações pelos familiares se fazem predominantemente pela Internet. E com a disseminação das novas tecnologias, este modelo passa a crescer entre as pessoas. A família virtual não está expressamente enunciada na Constituição Brasileira, mas se destaca por ser a realidade de muitos brasileiros. Ela é baseada na afetividade e na comunicação efetiva entre os sujeitos, na tentativa de buscar a felicidade e valorizar a pessoa humana. Neste sentido, as famílias históricas da Cidade Antiga, se re-configuram para entrar no tempo atual da realidade, quebrando paradigmas adotados e internalizados nas legislações antigas.

Não era de se esperar que o isolamento social e a quarentena levem à propagação dessas interações on-line, seja entre casais, pais e filhos, filhos e avós. Toda a família se conectando para manter as relações íntimas entre as pessoas queridas. Reportagens demonstram que até festas de aniversário de idosos e crianças são realizadas por esta via. Outro exemplo é visto entre pessoas divorciadas que possuem guarda compartilhada dos filhos. Eles se propõem em manter a criança na casa de somente um dos genitores, bastando ao outro ter contatos virtuais para não quebrar as recomendações da OMS e não deixar de estar próximo com o ente querido, mesmo devido às circunstâncias.

Esta realidade demonstra a transformação na vida das pessoas que adotam outros meios para se relacionarem. O ser humano é guiado pelo convívio entre os indivíduos, e mesmo entre pessoas distantes, permanece este entendimento. Mesmo com a crença de que a tecnologia pode manter pessoas próximas distantes, o contrário também é verdadeiro. Ela permite pessoas distantes manterem relações mais próximas, com muito amor, carinho e companheirismo familiar.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Dimas Messias. Direito das famílias: direito civil – 3º ed. rev. atual. e ampl. – Lavras: UNILAVRAS, 2014.

ROSA, Conrado Paulino da. Curso de direito de família contemporâneo – 6º ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: JusPODIVM, 2020.

3 Comentários

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Excelente texto continuar lendo

temática oportuna pra este momento. Obrigado pelo retorno positivo. continuar lendo

Parabéns! Muito bom!!! continuar lendo